Imóveis: Preços estão descendo do telhado?

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Depois de especulação frenética, mercado sente os efeitos da ressaca

Já não é novidade para ninguém que, depois de um longo período de especulação furiosa, o comércio de imóveis em Rio Verde esfriou. A época em que as incorporadoras não precisavam de mais do que algumas horas para simplesmente esgotar a venda de centenas de apartamentos ainda na planta ficou para trás.

Com o ritmo mais lento, a quantidade de placas de “aluga-se” ou “vende-se” tem aumentado em todas as partes da cidade. Objeto de desejo das classes que ocupam o topo da pirâmide, até os condomínios fechados vêm sofrendo quedas consecutivas no valor do metro quadrado. Em áreas comerciais cujos preços foram às alturas nos últimos anos, como a avenida Barrinha, a situação não é diferente.

Em ambos os casos, o metro quadrado dos terrenos tem sido negociado em média entre R$ 1.100,00 e R$ 1.200,00. No período mais intenso de especulação, os valores passavam de R$ 1.500,00. São as mesmas áreas que, há cerca de oito anos, eram oferecidas a R$ 180,00 o metro quadrado. Os imóveis vinham sendo comprados e revendidos com valorização relâmpago. O resultado foi o descolamento dos preços da realidade. Em muitos casos, as margens de lucro faziam lembrar até mesmo as pirâmides financeiras.

“Ainda existe muita gente oferecendo imóveis a preços astronômicos, mas quem quer fechar negócio precisa colocar os pés no chão”, relata um corretor com mais de 10 anos de experiência no mercado. “Aquela loucura de comprar e revender incessantemente para faturar com uma valorização exorbitante não existe mais”, compara. Com o avanço da inflação e o achatamento dos salários, parte da classe média que investiu no setor encontra dificuldades para pagar as parcelas de financiamentos e empréstimos.

Ao invés de especuladores, o mercado tem atraído um número maior de pessoas e empresas cuja finalidade é habitacional ou produtiva. A nova realidade já gera reflexos diretos nos novos contratos. Pode ser um alívio principalmente para quem precisa pagar aluguel para morar ou manter seu negócio. A supervalorização dos imóveis nos últimos anos teve para muitos comerciantes o impacto de uma joelhada na terceira vértebra.

“Está longe de ser o estouro de uma bolha, mas uma estabilização dos preços”, afirma o consultor financeiro Maurício Faganelo. Segundo o economista, os preços não devem cair bruscamente e tendem a ser influenciados tanto por fatores locais como macroeconômicos. Se por um lado o agronegócio contribui para que muito dinheiro circule na cidade, por outro não se pode ignorar a estagnação da economia brasileira. “Também é importante ressaltar que o déficit habitacional ainda é grande”, pondera.

Foto: Hugo Buarques

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